18.4.19

Latidos




Latidos


Não importa o quão alto grite,
As muralhas de vidro nos abafam.
Latindo para o reflexo translucido.
Somente você ouve seus latidos.

A chuva próspera que cai lá fora
Traz apenas goteiras em nosso telhado.
E os cães que ladram aos céus,
Sentem as gotas caindo em suas testas.

Balas disparadas a noventa graus.
Tendem a cair a noventa graus.
Quem será o alvo?
Quem mais seria o alvo?
Henrique Sanvas

Borboleta




Borboleta


Alguma coisa foi feita
E o mundo segue como antes.
Uma parte infla-se de orgulho.
A outra murcha de vergonha.

Onde estava a borboleta durante o tsunami?
Mesmo se ela soubesse, deixaria de bater asas?
Henrique Sanvas

15.4.19

Águas de Março




Águas de Março


Uma massa de nuvens densa
Esbravejando trovões
Iluminando toda a noite,
Com seus flashes alados.

A tempestade já se foi.
Dia e noite, dia e noite.
Agora, somente o rastro de poças pisadas.
O verão está morrendo.

O verão se desfaz em chuva.
Uma longa despedida,
Com frias lágrimas de prata.

O sol que se cansa de raiar.
Não demora para se pôr.
Ele adormece ao som da chuva.
Henrique Sanvas

Cegos e banguelas

 Der Trinker



Cegos e banguelas


Em um reino distante
Haviam somente cegos e banguelas.
O rei soberano, possuía dois dentes,
Dois dentes e dez por cento da visão,
Dez por cento e somente no olho esquerdo.

Todos haviam cobrado por tudo.
Desde uma moeda, até mesmo uma morte.
Olho por olho e dente por dente.
No final das contas, todos ficaram à míngua.
Sorte a do rei, que era miserável demais para ser cobrado.
Henrique Sanvas

A bocarra

 "Dante Alighieri"



A bocarra


Me coloco na frente do espelho
E olho nos meus olhos.
As pupilas retraindo com a luz,
E nem mesmo eu as entendo.

Me elevo a décima potência,
Assim, eu encaro o mundo.
Eu não quero ser engolido
A bocarra da vida engole a todos...

Mas, no fundo, eu sei que cada um sabe de si.
Mais de sete bilhões de mundos.
Mesmo que o sol seja para todos
Cada um vê ele num lugar diferente.

Não procuro olhar para ninguém
Se não, para mim mesmo.
Pouco me importa, se chamam de apatia.
Só não quero ser engolido pela vida.
Henrique Sanvas

Homem no Reflexo

Homem no Reflexo  Eu tento aparar cada gota que despenca de seus olhos. E elas escorrem por entre meus dedos, Salgando assim o m...